13 agosto, 2011

O tempo não para….

 

Ando bem preguiçoso para escrever isso é uma realidade. Tenho consumido mais e mais conteúdo e produzir que é bom, nada. Mas argumento em minha defesa: pensar dói, cansa e incomoda mais gente além de nós mesmos.

Andei colocando nas minhas timelines que ando cansado, e é um fato consumado. Tenho resolvido problemas disso e daquilo enquanto penso em uma rede (não tecnológica), mas de pano, dependurada em dois ganchos, com um copo de suco de laranja ao alcance das mãos em uma varanda numa cidade qualquer do interior. Um cãozinho para poder brincar e nada para fazer, absolutamente nada para pensar.

Espero que consiga montar minhas férias para rebootar este cérebro em desenvolvimento constante. Sinceramente não entendo como as pessoas vivem sem fazer isso. Dia a dia eu me pego tramando particularmente uma desligada, mas parece que se pararmos um minutinho os próximos 100 anos se passarão nele.

Outro dia li um artigo sobre a preguiça: acredito que foi na revista de Filosofia (http://www.portalcienciaevida.com.br). Era bastante interessante, por sinal. Dizia algo como: a única era/sociedade que prioriza/trouxe o trabalho como parte obrigatória da sua cultura é esta (a nossa). É nesta geração que se tornou estranho “parar para ouvir a grama crescer”. Tornamo-nos uma sociedade psicótica, angustiada em ver o tempo escoar como as areais em uma ampulheta.

No passado o trabalho era algo de um grupo de servientes, uma parcela societária acharia ofensa trabalhar. Pensar era essencial, filosofar era relevante e não tedioso.

Embora tenha minhas contrariedades a esse tipo de argumentação que dizia o artigo, o fato de parar para respirar é algo que deveria ser feito. Lembro-me de alguém me dizendo que correr não é obrigatório, correr é um anseio da juventude. Da explosão corporal. Das descobertas. Que com a experiência, com o tempo e a velhice você percebe que correndo ou senão chegará a lugares muito parecidos.

Tenho lá minha desconfiança dessa sentença. Acredito que podemos ir um pouco mais a frente sempre, empurrando e sendo empurrado, puxando e sendo puxado. Evoluindo.

Mas sério, tem momentos que entro em um estado tão intrépido de violência mental, que me assusta. Particularmente o fato de que parece que o sono não serve para descansar, somente para reorganizar as informações que existem na cachola. São sonhos, pesadelos, noites mal dormidas... A cabeça parece que não para.

Há momentos desesperadores de deitar cantarolando uma música que ouvi, dormir, e acordar e continuar cantarolando a mesma música... Parece que ela não saiu da cabeça, parece que não foi possível desligar um pouco a máquina em curto circuito.

Vejo em compensação, pessoas que querem mais e mais esses momentos. Você deve acelerar, deve correr, devem corresponder às necessidades, prazos, exatidão, precisão e todos os aos que você quiser colocar, mas será que esse é o melhor caminho?

Quem saberá? Acho que nem mesmo o tempo poderia responder essa, pois duvido muito que alguém, do outro lado do mundo, ou mesmo no apartamento ao lado não tenha escrito a mesma coisa e não esteve tão angustiado. Talvez a 100 anos a corrida evolucionária também apavorasse as pessoas e estas buscassem soluções e respostas como estas, não encontrando.

Chegando então a conclusão: que ninguém teve ou terá a resposta. Que não somos capazes de dizer que sabemos o que fazemos, acreditamos, seguimos: de onde e para onde? Quem somos nós mesmo para dizer? Aqueles que estão seguindo, cegos, o caminho guiado por outros tão, ou mais cegos.

Vou deitar.

 

Cazuza: O tempo não para não… não para.

 

2 comentários:

  1. Que delícia...Uma rede de pano, dependurada em dois ganchos, com um copo de suco de laranjaNATURAL ao alcance das mãos ...em uma varanda, numa cidade qualquer do interior. Um cãozinho para poder brincar e nada para fazer, absolutamente nada para pensar.
    Eu já vi vc. exatamente assim... quanto por volta dos seus 12/13anos.

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  2. NO PASSADO o trabalho era algo de um grupo de servientes; uma parcela societária acharia ofensa trabalhar. Pensar era essencial, filosofar era relevante e não tedioso.ERA ofensa trabalhar.ERA LEI tb.. talvez em algum lugarzinho especial aja remanescente dessa filosofia...Terá sido essa pessoa feliz sempre ou apenas uma vitima de ignorantes?

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