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23 julho, 2015

Atribuição

As pessoas são quem são e cada geração tem seu valor é seu desmerecimento.

Se você tende a ser negativo, racional, superficial vê apenas parte daquilo que essa geração produz e esquecer as coisas boas - tendenciando sua percepção. Atribuindo característica que são mais marcantes ao seu perfil.

Se você tende a ser positivo, emocional, profundo verá verdades que outros não vêem e ainda assim será submetido, talvez, a grandes e profundas alegrias e tristezas.

E assim seguimos: atribuindo.

Mas qual é do papo da geração? Então: usei a palavra geração mas neste momento creio que era seja melhor para evitar confusões pois me refiro a todas as gerações que vivem e tem acesso aos dados online. 

Atribuições: negativa - já que a Internet facilitou a pesquisa, pesquiso menos é mais superficialmente. Verdade? Talvez. Em alguns ou na grande maioria sim.

Atribuições: Positiva - Você já parou para pensar que pode se certificar de qualquer informação se aprofundando um pouco na pesquisa e não tomando como verdade a maioria?

Vou para o causo de hoje que gerou toda essa elaboração enquanto fecho os olhos:

Hoje, em um aplicativo de recordações (timehop) encontrei uma citação. Há dois anos, copiei e colei aquele trecho sem pensar em confirmar a veracidade daquilo. Atribui que quem dizia, sabia aquilo que dizia. Era o seguinte:

"Aquele que quer aprender a voar um dia precisa primeiro aprender a ficar de pé, caminhar, correr, escalar e dançar; ninguém consegue voar só aprendendo vôo".

Primeira atribuição: por que gosto dos eventos, já ouvi muita coisa e li muita coisa legal desse divulgador atribui que a citação era verdadeira.

Atribuições: ele divulgou para não sei quantos e eu para não sei mais quantos na época.

Só essa atribuição já incitou que outras pessoas atribuissem verdades e criou-se uma corrente.

Hoje, esse aplicativo rememorou essa contribuição e fui pesquisar, pois na primeira a deram Nietzsche. Pelo que me lembro de Nietzsche suas citações me davam dores de cabeça de complexa profundidade e atribuições. Mas essa frase, fui pesquisar se era mesmo de Nietzsche e, numa pesquisa inicial: sim. Quase todos resultados atribuem a frase a ele mas nenhum, NENHUM! Cita a fonte de origem.

Inclusive artigos científicos onde as pessoas usam a citação e não põem a fonte! Ah! Se "todo mundo" diz que é dele alguém tá certo? Nesta época o lado ruim e que talvez pois todos que não pesquisaram compartilharam e a tornaram "verdade" mas é falso.

A única fonte de origem que encontrei nessa frase foi:

Tempo
Edno Mattos
Clube de Autores, 30 de nov de 2008 - 47 páginas - na Página 19!

Atribuo ao Edno essa frase, se ele replicou de Nietzsche,  não colocou a fonte, eu, na minha pesquisa superficial não atribuiria pq não achei mada que o pudesse fazer.

Desse ponto haveria tantos links de atribuições falaciosas para discussão.

Atribuo falta de tempo para pesquisa aprofundada. Atribuo valor: quão importante é o dono da frase se a frase é boa? Atribuo desmerecimento: para que essa pesquisa. E, na minha opinião a pior: atribuo verdades falsas.

26 maio, 2014

Transmidia

E então, numa conversa de facebook com a Srta Cacau, eis que ela me pede: defina transmidia. Pergunto se pode ser uma definição informal e pessoal, ela permite. Fecho os olhos, penso um pouco a respeito e digito:

transmídia - o excerto de vários caminhos de transmissão de informação sobrepostos que agem um sobre o outro criando concepções variadas e análogas em si pois tem como base a necessidade de transmitir, com várias ferramentas, algum conceito ou objetivo do utilizador da ferramenta.

Em seguida ela pede um exemplo, e eu dou: o caractere/letra/simbolo: "A".

que fique registrado, depois fui pesquisar o que era excerto pq eu não tinha certeza do seu significado, mas cabia na definição que pensei... então, o restante, uma hora ou outra que eu estiver afim de digitar, colocarei.. :P

 

13 abril, 2012

População versus Expectativa de Vida - Mestrado

Hoje tive uma das minhas orientações psicológicas no mestrado - orientações psicológicas pois cada vez que resolvo chegar perto da minha pesquisa, agora que ela está em fase de "por no papel", a vontade de cortar os pulsos aumenta mais e mais a cada linha ou a cada pensament que gera a linha de raciocínio.

Uma das coisas que me assusta muito é o gráfico abaixo, que mostra a população mundial versus a expectativa de vida do ser humano por país:




Sente o drama.Compartilhe minha dor e pesar em relação a pragra humana. A sensação que tenho ao observar esse gráfico é que aos poucos vamos infestando a crosta terrestre, consumindo recursos, gritando por mais e mais e mais. Que nos achamos tão reis do universo enquanto somos pragas e predadores nele. Não despreso o meu conforto, não sou revolucionário ou muito menos idealista, mas fico angustiado. Angustiado por ver tanta coisa e na verdade não querer dar "pérolas a porcos" pois no final, tudo é finito, inclusive nós mesmos, então qual o significado de tudo? Vamos consumir e nos acabar!!! Dúvido. Chegamos a quase uma questão religiosa e de principios, aliás melhor, do princípio - o que nós somos, para onde vamo?

Não ambiciono muitas coisas, mas ao mesmo tempo, fico pensando para que? Logo logo não estarei mais aqui então qual a vantagem de tanta labuta e tanto corre corre? Qual a função de desenvolver uma raça que menospreza seu poder de destruição e que ainda tem o ego na barriga?

Enfim, pelos comentários, acho que deverei ter outras várias orientações psicológicas....



27 outubro, 2011

Cooperar e Colaborar e listas de discussão

 

O que é cooperar? O que é colaborar? Ainda que na linguagem comum sejam tomados como sinônimos, no contexto dos estudos sobre aprendizagem os dois termos apontam para significados diferentes entre si. Acrescenta-se a isso, o fato de que a confusão pode estar sendo frequentemente aumentada pela tradução. Assim, enquanto “cooperation” é entendida como uma divisão de trabalho na qual cada um é responsável por uma parte da solução de um problema, “colaboration” é entendida com o engajamento múto dos participantes, num esforço coordenado para resolver um problema em conjunto (Roschelle & Teasley, 1995 apud (ESTRÁZULAS, 1999)).

A distinção entre os dois significados, que parece agora mais nítida, corresponde, no mínimo ao inverso do que foi concebido por Piaget. (ESTRÁZULAS, 1999)

Cooperar, para Piaget (1973 apud (ESTRÁZULAS, 1999)), é operar em comum, ou seja, ajustar por meio de novas operações de correspondência, reciprocidade ou complementaridade, as operações executadas pelos parceiros. Colaborar, entretanto, resume-se a reunião das ações que são realizadas isoladamente pelos parceiros, mesmo quando o fazem na direção de um objetivo comum.

Na cooperação os atos dos parceiros constituem-se nas operações que integram um único sistema operatório. A questão é explicar como o indivíduo consegue harmonizar suas intervenções com as dos outros, a ponto de engendrar esse sistema operatório. E ainda, explicar os mecanismos envolvidos nas ações que levam à cooperação nas trocas de pensamento.

ESTRÁZULAS, MONICA. 1999. INTERAÇÃO E COOPERAÇÃO EM LISTAS DE DISCUSSÃO. Informática na educação: teoria & prática. 2, 1999, Vol. 2. http://seer.ufrgs.br/InfEducTeoriaPratica/issue/view/614.

Li, Charlene e Bernoff, Josh. 2009. Fênomenos Sociais nos Negócios, Goundswell. Rio de Janeiro : Elsevier, 2009. ISBN 978-85-352-3295-0.

As mensagens trocadas em listas de discussão fazem parte das comunicações virtuais assíncronas, ou seja, são trocas que não ocorrem em tempo real. Toda mensagem (mail) enviada pela rede deve ser postada de acordo com o endereço eletrônico da lista de discussão, para que possa ser distribuída aos demais participantes. O conteúdo das mensagens é, por consequência, compartilhado por todos os inscritos na lista, caracterizando-a como um fórum de discussão em potencial. A primeira mensagem pode ser uma saudação enviada pelo mantenedor da mesma (manager/owner). Posteriormente, seguem-se outras mensagens enviadas pelos participantes, que se apresentam aos demais. Durante o funcionamento da lista, as trocas de mensagens são normalmente articuladas por interesses momentâneas, que se aglutinam em torno de grupos de trabalho, envolvendo assuntos e temáticas pré-estabelecidas ou não. (ESTRÁZULAS, 1999)

Para Piaget, toda associação voltada à produção de valores, seja ela cientifica ou não , poderia ser estudada segundo as trocas internas entre seus colabores e as trocas externas entre estes e o publico em geral. Aplicando-se a ideia ao caso das listas de discussão, sistemas fechados na prática, os estudos resumir-se-iam aos das trocas internas. Nesses, o partilhamento de uma escala comum de valores pode ser tomado como condição preliminar para que essas associações possam ser reconhecidas como coletividades onde há valorização recíproca. As reais dificuldades de coerência estariam inicialmente atreladas ao elevado número de escalas que coexistem na sociedade contemporânea.

A análise das trocas entre participantes de uma lista, cuja forma de ingresso foi um ato espontâneo e voluntário, considera todo esse conjunto de indivíduos trocando seus valores segundo uma escala comum como uma “classe de co-valorizantes” (PIAGET, 1973) apud (ESTRÁZULAS, 1999). A partir daí, as trocas entre todos os co-valorizantes podem ser analisadas segundo diversas possibilidades: a) benefício recíproco b) desvalorização recíproca e c) equilíbrio.

ESTRÁZULAS, M. (1999). INTERAÇÃO E COOPERAÇÃO EM LISTAS DE DISCUSSÃO. Informática na educação: teoria & prática , 2.

Li, C., & Bernoff, J. (2009). Fenômenos Sociais nos Negócios, Goundswell. Rio de Janeiro: Elsevier.

PIAGET, J. (1973). Estudos Sociológicos. Rio de Janeiro: Forense.

27 março, 2011

Especificação, Comunicação e “Isto não é uma mancha, é arte!”

 

a) Há mais de uma forma de descrever algo: “Isto não é uma mancha, é arte!”. (MetaCrap)

Sempre existe e existirá confusão na hora de avaliar um ponto de problema. Principalmente se esse problema ou ponto depender de mais de uma pessoa e o pior, que essas pessoas tenham que conversar para chegar a um ponto comum.

E entenda, nesse momento defina-se por problema qualquer informação que está de posse de alguém, seja esse alguém o especificador ou o entrevistado.

Transmitir uma informação é um processo muito mais complicado do que parece.

As pessoas partem do princípio do pressuposto ou de que alguém sabe aquilo que ela está pensando ou está “alinhada” a transmitir. E não é assim.

Canso de ver reuniões de alinhamento, ou frases do tipo: “precisamos ajeitar ou azeitar isso”. OU frases ainda mais nocivas, no papel de entrevistador: “Pqp como vc é chato, não entende o que estou dizendo, será que você é burro?” ou ainda “Você me faz sentir burro, pois não consigo explicar o que você tanto pergunta...” e sou explicito em informar – não, ninguém é burro, a comunicação é complicada.

O alinhamento e o ajuste necessários são dolorosos e muito, mas muito trabalhosos para todas as partes. Entrevistador e entrevistado.

À primeira vista, o entrevistado, deve ter em mente que o entrevistador vai perguntar, de várias maneiras, a mesma coisa para ter certeza, o mais próximo da verdade (e veja que não existe uma verdade absoluta), sobre todos os aspectos daquilo que está em questão para chegar mais perto da certeza, nunca certa, que pegou os principais pontos do conhecimento ou da informação que o entrevistado está tentando passar.

Imagine o seguinte, como certificar-se que a informação é clara: avaliando. Como se avalia? Perguntando. Como se verifica se tudo foi feito corretamente. Avalia-se novamente. Perguntando.

Obter um detalhe ou informação é muito mais complicado do que parece, vamos a um exemplo prático:

O que é uma aliança? – Responda mentalmente e anote sua resposta.

Alguma delas encaixa-se perfeitamente a uma das abaixo?

1    pacto ou tratado entre indivíduos, partidos, povos ou governos para determinada finalidade
2    união, ligação pelo matrimônio
3    Derivação: por metonímia.
     anel que simboliza noivado ou casamento
4    união harmoniosa de coisas diferentes entre si
5    liga de metais
6    Rubrica: religião.
     nas Escrituras Sagradas, iniciativa de Deus de fazer um pacto com indivíduos ou com um povo
Locuções
a. de palavras
Rubrica: lingüística.
argumento de dois termos contraditórios que, justapostos, podem ser interpretados como metáfora (p.ex.: diz o povo: "devagar também é pressa")
Etimologia
fr. alliance (1160) de allier (1100), do lat. alligáre, de ligaráre; ver lig-; f.hist. sXV aliança, sXV allyança
Sinônimos
ver sinonímia pacto e antonímia de desinteligência
Antônimos
ver sinonímia de desinteligência
Homônimos
aliança(fl.aliançar)

Sinceramente “duvideodó” que a sua frase foi exatamente uma dessas, por vários motivos: vivência, experiência, tempo ou mesmo preguiça.

Você escreveu, se é que escreveu do jeito que especifiquei, isso como: anel ou algo muito próximo.

Agora, imagine que o exemplo foi de algo tangível de conhecimento que já está no inconsciente coletivo, que todos sabem por algum motivo o que é uma aliança.

Pergunte para uma criança de 3 anos o que é um aliança.

Provavelmente ela não saberá o que responder ou inventará uma resposta, pois, na maioria das vezes, buscamos por referencia o conhecimento que está implícito e o implícito não se aplica na transmissão de uma informação.

“As conversas sempre se desenvolvem com base na concordância. Se logo de inicio não concordamos tacitamente que o açúcar é substância comestível, então não poderemos conversar sobre o fato de que as crianças adoram açúcar. A partir dessa base de concordância passamos a reiterar as diferenças.” (DAVID, 2007 p. 207)

E para concordamos em algo, apenas se chegarmos a um ponto de argumentação comum. E tudo isso é um problema muito grave na hora de especificar um determinado sistema. É aquele momento que o chefe fala: “faz assim”, mas ele não vai lá e faz.

Será que o jeito de fazer algo sempre é igual? Duvido de novo.

Um trecho muito interessante que ilustra perfeitamente essa disputa entre entender o que esta implicitado dentro de uma determinada informação segue abaixo:

“O filósofo alemão Martin Heidegger sempre foi considerado uma pessoa difícil de compreender, mas o que ele diz sobre significado faz sentido. O que significa um martelo? Se eu não souber que é uma ferramenta para pregar pregos, não saberei o que um martelo é.

Mas se todos souberem que serve para pregar pregos, continuarei sem saber realmente o que é um martelo.

Preciso saber no mínimo, que pregos são cavilhas de metal usadas para pregar madeira. Mas minha compreensão de um martelo chega apenas até ai. Sei também que a madeira é extraída de árvores, que árvores são plantas que crescem nas florestas, e que as plantas estão enraizadas na terra e crescem em direção à luz do sol. Para compreender o que é um martelo – não de forma abstrata, mas quando o agarramos literal ou figurativamente – é também preciso compreender que as arvores se transformam em toras de madeira porque temos uma economia que paga pessoas para executarem o trabalho.

E empunhar um martelo significa compreender que os seres humanos têm propósitos porque temos necessidades, pois não somos deuses. E também lembrar o som que um martelo faz quando atinge um prego, e talvez o cheiro que a placa de madeira exala em resposta. Tudo isso, diz Heidegger, faz parte de nossa compreensão de um martelo.

O significado de determinada coisa é proporcionado pela rede de significados implícitos pelos quais chamamos mundo.

Heidegger representa uma visão tanto familiar como não familiar de um significado. É familiar porque quando falamos sobre o significado de um evento, em geral nos referimos à maneira como esse evento se enquadra em um contexto mais amplo.

Não é familiar porque com muita frequência pensamos nas palavras como sons ou escritos que tem significado no sentido de que podemos procurar uma definição no dicionário.

Mas procuramos por uma definição quando estamos realmente sem saber. Na maioria das vezes, quando ouvimos uma palavra, não a traduzimos por uma definição.

Não transformamos cada “alô” em “n., um cumprimento comum” – mas ouvimos seu som, sua ressonância, sua intenção e suas conexões.

Entretanto, tudo isso está implícito, e é por isso que parece estranho e exagerado quando Heidegger relaciona um martelo ao Sol e a economia. Entretanto, acho que seu argumento está certo: a rede implícita de relacionamentos fornece às coisas de nosso mundo seu significado.” (DAVID, 2007 pp. 171-172)

Assim, sempre que você tentar escrever um programa e se estressar com o entrevistador ou o programador que foi o responsável pense no seguinte: NINGUÉM PENSA IGUAL PORRA!

Não é obrigação de ninguém saber o que o outro está dizendo, e quando você entrega um produto que é uma transcrição do conhecimento de outra pessoa, você precisa sim perguntar e reperguntar. Encher o saco se for preciso pois tudo está ali.

A sempre mais de uma forma de descrever algo, e isso é um problema linguístico, então não se culpe por perguntar. Pergunte, faça seu processo mental e repergunte para ver se você compreendeu. Se tudo sempre levar ao mesmo destino quer dizer que você está próximo ao entendimento.

E você, só vai entender de verdade no momento que precisar aplicar aquilo que aprendeu.

 

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