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24 outubro, 2015

Histórias do Projeto Ouvir e Contar



Hoje resolvi publicar todas as histórias do projeto Ouvir e Contar que já transformei. 
Coloquei no outro blog - não quero mudar a cor deste e sei que é ruim de ler aqui. 
Lá tá no branco, tem vários formatos, aproveite. 


Quer saber um pouco mais do que é o Ouvir e Contar? 

O Projeto Ouvir e Contar Histórias é um projeto em parceria (normalmente) entre o Instituto Historia Viva e o Instituto Velho Amigo, onde nós voluntários, vamos ao Lar dos Idosos e ouvimos suas histórias.

Conversamos e damos o nosso tempo e atenção integral para OUVIR cada um daqueles que conversamos. Ouvimos mesmo, não ficamos só de corpo. Participamos, registramos na cabeça e eles que falam, nós, ouvimos e tomamos algumas notas. 

Deveria ser em duplas, mas são tantas histórias e tantos idosos que muitas vezes nos separamos para tentar dar atenção para todos. Entende porque divulgo tanto? Sua participação nos grupos ajudaria nisso! :P Enfim. 

Em seguida, transformamos a história em algo lúdico e em formato mais infantil, tentamos seguir a Jornada do Herói. 

Se você é voluntário e está pensando em se voluntariar, atenção é ao lar que você irá, tem crianças de todas as idades, o público é exigente. Fica esperto! :-P Não dá para contar história de princesa ou aviãozinho falante para um guri de 11 anos que tá correndo por ali com o celular na mão ou para uma cotoquinha fofuxa que dá vontade de morder sobre Lobisomens que voltam a meia noite para pegar o pézinho na cama! :P então dá uma lida nas dicas e se prepara! :-D 

Em seguida vamos a casas de crianças em momento de vulnerabilidade para CONTAR essa história, literalmente cantamos, brincamos, apresentamos de modo que elas interajam e façam uma devolutiva, com um desenho, uma dobradura, uma lembrança que será repassada como recebimento da mensagem, afinal, somos contadores de histórias. 

Voltamos então ao lar e apresentamos a história para os idosos, entregando o presente das crianças.

Nesse momento, sempre surge outras histórias, sorrisos e, então, começamos tudo de novo. 
Gostou? Curti ai e visita os links abaixo: 

Veja também: 

17 janeiro, 2014

O que eu quero e a queda da paixão…

(revista pela terceira vez pós publicação para corrigir alguns erros…)

Perguntaram-me o que eu quero.

Resposta difícil essa, muito difícil.

Pensei em dizer: mudar o mundo.

Mas não o mundo muda à sua velocidade e este grão de gente tem uma pequena e mísera contribuição para isso.

Para mudar o mundo seria preciso genialidade, sorte, força, presença e esse algo que busco e não sei o que é. E pensando um pouco mais, nos dias de hoje: muito marketing pessoal, poder, abnegação e martírio.

Definitivamente não cheguei ao status de divindade para sofrer por essa mudança. Olhando fundo, não sou tão altruísta. Gosto do meu circulo e espaço, mesmo que seja dentro da minha cabeça um tanto confusa.

Pensei mais um pouco e a resposta surgiu: mudar as pessoas!

Mas as pessoas são diferentes e mutáveis.

Tantas se transformaram com o tempo; para pior e para melhor. Foram tantas que conheci, que conheço e desconheço.  Nem mesmo elas se conhecem, como mudar o desconhecido?

Tantas me decepcionaram e tantas outras me surpreendem positiva e diariamente.

Surgem e se vão.

Não, não quero mudar as pessoas, queria no máximo dar um pouco de autossenso crítico para suas escolhas, mas as variáveis são tantas que com certeza aberrações continuariam a aparecer, melhor não querer mudá-las.

Seria quase como um aparelho que pode brilhar ou explodir. Podem virar criaturas incontroláveis (já o são, não?) e o que nos leva ao mesmo ponto e, chegamos o problema de não querer mudá-las, o ciclo parece-me inquebrável.

Então, o tempo delas é necessário e a auto mudança é o que posso desejar a você e a mim. Não que alguém o faça.

Não, definitivamente não quero mudar as pessoas, queria eu ser tão otimista a ponto de me arriscar tanto, mas não, imprevisível demasiadamente.

Então interiorizei: quero me mudar!

Opa, pera lá. Isso na segunda leitura soa muito estranho. Vamos deixar claro, não estou falando de mudança física de cidade, pais ou estado, de grupo ou talvez esteja. Xi. Complicou. Continuemos.

Sou mutável. Aprendo, ouço e escuto, leio e vejo, mudo a cada instante, cada célula, cada pensamento e cada ideia que se forma na minha cabeça, não estou mudando agora tentando entender o que eu quero?

Mudo a cada segundo. Isso já acontece, eu já me transformo a cada instante, inclusive de opinião. Não. A Resposta não é essa.

Nesse raciocínio, pensei em paixão, ah, a paixão. Aí me lembro de um livro, do Mario Sergio Cortella que dizimou o meu entendimento de paixão, na verdade a paixão não é boa. E o que eu quero é bom, eu sinto. Mas a paixão, tão gostosa...

Não era mais possível dizer a mim: quero me apaixonar. O conhecimento. Triste. Frio.

Fui, teimoso, até o dicionário procurar o significado da palavra com esperanças de ser isso: Quero paixão, quero, preciso, ah! Me dê paixão! (os grifos do texto abaixo são meus, ok?)

paixão: substantivo feminino ( sXIII) – 1. O sofrimento de Jesus Cristo na cruz. 2. o segmento do Evangelho que trata do martírio de Cristo; esse martírio, e o dos santos. 3. Peça teatral cantada, ou oratória sobre o tema da Paixão. 4. Grande sofrimento; martírio. 5. Gosto ou amor intensos a ponto de ofuscar a razão; grande entusiasmo por alguma coisa (!); atividade, hábito ou vício dominador. 6. A coisa, o objeto da paixão ou da predileção. 7. Furor incontrolável; exaltação, cólera. 8. Ânimo favorável ou contrário a alguma coisa e que supera os limites da razão; fanatismo. 9. Sensibilidade, entusiasmo que um artista transmite através da obra; calor, emoção, vida. 10. No kantismo, inclinação emocional violenta, capaz de dominar completamente a conduta humana e afastá-la da desejável capacidade de autonomia e escolha racional por oposição a ação ('atividade livre'). 11. No nietzschianismo, estado em que determinado afeto organiza e orienta toda a difusa emotividade humana em uma disposição plena de saúde e vigor 12. Lógica da categoria aristotélica que indica a passividade, a inatividade perante uma ação alheia por oposição a ação. Etimologia: lat.tar. passĭo,ōnis 'paixão, passividade; sofrimento', pelo vulg.; ver 2pass-; f.hist. sXIII paixon, sXIII paxon, sXIV payxõ, sXIV payxõoes, sXV paixão, sXV passiom, sXV paxam 'martírio', sXV paixões, sXV passõoes 'sentimento'. Sinônímia e Variantes: ver sinonímia de mania e martírio e antonímia de desleixo e indiferença

O desejo dessa paixão realmente me pareceu um vício agora. Quero! Preciso! Desejo! Não.

Os otimistas dirão: mas há um ou outro significado bom ali no meio, você mesmo exclamou! Mas perceba o contexto como em um todo.

Ruim, muito ruim. Não gostaria de perder a lógica, a razão, deixar de ver, de tentar entender.

Não quero sofrer mais do que sofro pensando que esse vazio pode ser exponenciado pela paixão, vazia? Já pensou? Paixão vazia. Soa tão moderno e atual.

Então o que eu quero?

Liberdade. Muito complexo. Vivemos numa sociedade onde nossa liberdade é cerceada a cada instante. Internamente, dentro desse complexo sou livre, mas como é possível ser livre dentro de um ambiente sem liberdade; internamente?

Arcando com as consequências.

Então sou livre na medida do possível. Mas se há uma medida não é liberdade... viu.. complexo... acho que tenho a liberdade de que preciso.

Evoluir. Essa minha busca é uma evolução. Feito.

Definitivamente não sei, ainda estou pensando. Burilando a ideia. Realmente muitas dúvidas travam. O problema é que, em tudo que leio deste texto, não há dúvidas, só não há visão.

O que eu quero? Difícil, muito difícil responder.

04 julho, 2012

Poema: Meu nome é ... uma série..


Quando estou triste escrevo para tentar por a cachola em ordem, e por incrivel que pareça, surge alguém que gosta de poetar. Hoje, nos momentos mais acordados e sóbreos está saindo este que vai continuar.... apreciem:

Série: Meu nome é.


Oi, meu nome é Vida.
E o prazer é todinho seu.
Sim, sou eu, essa mesma te acompanhando todo santo dia.
E, vou te contar uma surpresa neném:
Eu sou a verdadeira rebelde sem causa.
Não, não você ou outrem.
Sou eu quem muda a hora que quer, me fantasio - imito.
às vezes eu sou a Paixão, e às vezes o Amor, a Alegria, tristeza, solid.... (...)
Bem, err, sou eu quem muda ao meu bel prazer e, numa hora qualquer.
Sou quem eu quiser!
Não sou boa, nem má, nem egoísta e muito menos feliz.
Eu sou, quando sou, o que sou: vida, rebelde de verdade.
Você não acha?
Tente me controlar, poderei fingir um pouco que você conseguiu.
Mas logo mudo e você que se segure.
Pois serei a piloto e você verá as coisas passando só na janelinha.
Ainda não se convenceu? Tem momentos que parece que acabei.
Valsa fúnebre e tudo. Você me tranca, me esconde, me xinga e...
Então eu floresço na sua própria ou na companhia de amigos.
Em um sorriso ou numa flor no lugar certo para fotografia
Na nuvem, no sorriso sincero e ingênuo. Até nos irmãos Vícios.
Nesses momentos vocês me confundem com a senhora Paixão.
Ou com o senhor Nascimento, com o senhor Amor
Ou com aquele ser indefinido, Prazer.
Tem tanta gente no mundo e adivinhem! Eu posso ser todos eles.
Quando quiser, na hora que desejar, eu me transvisto e mudo.
Vou reforçar para você que não entendeu, eu sou a verdadeira Rebelde.
Me rebelio, faço revoluções, eu sou eu e vivo.
Pare de tentar inventar ou de jogar a culpa em mim, ok?
Não sou a senhora estressada, Revolução.
Sou a vida e o prazer é todinho seu.

Oi, meu nome é Dor.
Não gosto de companhia, mas respeito a Atenção.
Não posso falar, estou sentindo, remoendo, mechendo.
Fazendo o que faço de melhor, doendo.

Oi, meu nome é Vazio.
Deixe o seu recado pois não estou.

Oi, meu nome é Amor.
Não sou definivel, sou transmorfo, trangenico, esquisofrenico
patético, bonito, presente, fiel, sincero e as vezes eterno.
Sou claro, sou escuro, não me limito ao que o senhor cerebro quer
Eu sou parente muito próximo da senhora Emoção, do senhor Pesar.
Sou indecifravel, timido e chego aos poucos. Sei o que quero.
Sou um pouco tímido e as vezes, só sou.
Pare de tentar me definir, você não vai conseguir, definição é coisa do senhor Razão
aquele bobão que muda de geração em geração.
Muito amor, pois eu amo você.

Oi, meu nome é....

continua....

10 maio, 2011

Tem certeza que ninguém é insubstituível?

 

Texto recebido em e-mail. Achei interessante embora não concorde com alguns exemplos, mas enfim, a licença poética da obra vale a pena, então a postagem vai que vai. ;-)

Na sala de reunião de uma multinacional o diretor nervoso fala com sua equipe de gestores. Agita as mãos, mostra gráficos e, olhando nos olhos de cada um ameaça: "ninguém é insubstituível"!

A frase parece ecoar nas paredes da sala de reunião em meio ao silêncio.Os gestores se entreolham, alguns abaixam a cabeça. Ninguém ousa falar nada. De repente um braço se levanta e o diretor se prepara para triturar o atrevido:

- Alguma pergunta, meu jovem?

- Tenho sim. E Beethoven?

- Como? - o encara o diretor confuso.

- O senhor disse que ninguém é insubstituível e quem substituiu Beethoven?

Silêncio…

O funcionário fala então:

- Ouvi essa estória esses dias, contada por um profissional que conheço e achei muito pertinente falar sobre isso. Afinal as empresas falam em descobrir talentos, reter talentos, mas, no fundo continuam achando que os profissionais são peças dentro da organização e que, quando sai um, é só encontrar outro para por no lugar. Então, pergunto: quem substituiu Beethoven? Tom Jobim? Ayrton Senna? Ghandi? Frank Sinatra? Garrincha? Santos Dumont? Monteiro Lobato? Elvis Presley? Os Beatles? Jorge Amado? Pelé? Paul Newman? Tiger Woods? Albert Einstein? Picasso? Zico? Etc.?…

O rapaz fez uma pausa e continuou:

- Todos esses talentos que marcaram a história fazendo o que gostam e o que sabem fazer bem, ou seja, fizeram seu talento brilhar. E, portanto, mostraram que são sim, insubstituíveis. Que cada ser humano tem sua contribuição a dar e seu talento direcionado para alguma coisa. Não estaria na hora dos líderes das organizações reverem seus conceitos e começarem a pensar em como desenvolver o talento da sua equipe, em focar no brilho de seus pontos fortes e não utilizar energia em reparar seus 'erros ou deficiências'?

Nova pausa e prosseguiu:

- Acredito que ninguém se lembra e nem quer saber se BEETHOVEN ERA SURDO , se PICASSO ERA INSTÁVEL , CAYMMI PREGUIÇOSO , KENNEDY EGOCÊNTRICO, ELVIS PARANÓICO… O que queremos é sentir o prazer produzido pelas sinfonias, obras de arte, discursos memoráveis e melodias inesquecíveis, resultado de seus talentos. Mas cabe aos líderes de uma organização mudar o olhar sobre a equipe e voltar seus esforços, em descobrir os PONTOS FORTES DE CADA MEMBRO.

Fazer brilhar o talento de cada um em prol do sucesso de seu projeto.

Divagando o assunto, o rapaz continuava.

- Se um gerente ou coordenador, ainda está focado em 'melhorar as fraquezas' de sua equipe, corre o risco de ser aquele tipo de ‘técnico de futebol’, que barraria o Garrincha por ter as pernas tortas; ou Albert Einstein por ter notas baixas na escola; ou Beethoven por ser surdo. E na gestão dele o mundo teria PERDIDO todos esses talentos.

Olhou a sua a volta e reparou que o Diretor, olhava para baixo pensativo. E voltou a dizer nesses termos:

- Seguindo este raciocínio, caso pudessem mudar o curso natural, os rios seriam retos não haveria montanha, nem lagoas nem cavernas, nem homens nem mulheres, nem sexo, nem chefes nem subordinados… Apenas peças… E nunca me esqueço de quando o Zacarias dos Trapalhões que 'foi pra outras moradas'.

Ao iniciar o programa seguinte, o Dedé entrou em cena e falou mais ou menos assim: "Estamos todos muitotristes com a 'partida' de nossoirmão Zacarias... e hoje, para substituí-lo, chamamos:…NINGUÉM…Pois nosso Zaca é insubstituível.” – concluiu, o rapaz e o silêncio foi total.

Conclusão: UM TALENTO ÚNICO! COM TODA CERTEZA NINGUÉM SUBSTITUIRÁ!

"Sou um só, mas ainda assim sou um. Não posso fazer tudo, mas posso fazer alguma coisa. Por não poder fazer tudo, não me recusarei a fazer o pouco que posso."

"NO MUNDO SEMPRE EXISTIRÃO PESSOAS QUE VÃO TE AMAR PELO QUE VOCÊ É… E OUTRAS… QUE VÃO TE ODIAR PELO MESMO MOTIVO… ACOSTUME-SE A ISSO… COM MUITA PAZ DE ESPÍRITO…" VOCÊ É "INSUBSTITUÍVEL!!!"

Roberto Stensen Nunes

27 março, 2011

Especificação, Comunicação e “Isto não é uma mancha, é arte!”

 

a) Há mais de uma forma de descrever algo: “Isto não é uma mancha, é arte!”. (MetaCrap)

Sempre existe e existirá confusão na hora de avaliar um ponto de problema. Principalmente se esse problema ou ponto depender de mais de uma pessoa e o pior, que essas pessoas tenham que conversar para chegar a um ponto comum.

E entenda, nesse momento defina-se por problema qualquer informação que está de posse de alguém, seja esse alguém o especificador ou o entrevistado.

Transmitir uma informação é um processo muito mais complicado do que parece.

As pessoas partem do princípio do pressuposto ou de que alguém sabe aquilo que ela está pensando ou está “alinhada” a transmitir. E não é assim.

Canso de ver reuniões de alinhamento, ou frases do tipo: “precisamos ajeitar ou azeitar isso”. OU frases ainda mais nocivas, no papel de entrevistador: “Pqp como vc é chato, não entende o que estou dizendo, será que você é burro?” ou ainda “Você me faz sentir burro, pois não consigo explicar o que você tanto pergunta...” e sou explicito em informar – não, ninguém é burro, a comunicação é complicada.

O alinhamento e o ajuste necessários são dolorosos e muito, mas muito trabalhosos para todas as partes. Entrevistador e entrevistado.

À primeira vista, o entrevistado, deve ter em mente que o entrevistador vai perguntar, de várias maneiras, a mesma coisa para ter certeza, o mais próximo da verdade (e veja que não existe uma verdade absoluta), sobre todos os aspectos daquilo que está em questão para chegar mais perto da certeza, nunca certa, que pegou os principais pontos do conhecimento ou da informação que o entrevistado está tentando passar.

Imagine o seguinte, como certificar-se que a informação é clara: avaliando. Como se avalia? Perguntando. Como se verifica se tudo foi feito corretamente. Avalia-se novamente. Perguntando.

Obter um detalhe ou informação é muito mais complicado do que parece, vamos a um exemplo prático:

O que é uma aliança? – Responda mentalmente e anote sua resposta.

Alguma delas encaixa-se perfeitamente a uma das abaixo?

1    pacto ou tratado entre indivíduos, partidos, povos ou governos para determinada finalidade
2    união, ligação pelo matrimônio
3    Derivação: por metonímia.
     anel que simboliza noivado ou casamento
4    união harmoniosa de coisas diferentes entre si
5    liga de metais
6    Rubrica: religião.
     nas Escrituras Sagradas, iniciativa de Deus de fazer um pacto com indivíduos ou com um povo
Locuções
a. de palavras
Rubrica: lingüística.
argumento de dois termos contraditórios que, justapostos, podem ser interpretados como metáfora (p.ex.: diz o povo: "devagar também é pressa")
Etimologia
fr. alliance (1160) de allier (1100), do lat. alligáre, de ligaráre; ver lig-; f.hist. sXV aliança, sXV allyança
Sinônimos
ver sinonímia pacto e antonímia de desinteligência
Antônimos
ver sinonímia de desinteligência
Homônimos
aliança(fl.aliançar)

Sinceramente “duvideodó” que a sua frase foi exatamente uma dessas, por vários motivos: vivência, experiência, tempo ou mesmo preguiça.

Você escreveu, se é que escreveu do jeito que especifiquei, isso como: anel ou algo muito próximo.

Agora, imagine que o exemplo foi de algo tangível de conhecimento que já está no inconsciente coletivo, que todos sabem por algum motivo o que é uma aliança.

Pergunte para uma criança de 3 anos o que é um aliança.

Provavelmente ela não saberá o que responder ou inventará uma resposta, pois, na maioria das vezes, buscamos por referencia o conhecimento que está implícito e o implícito não se aplica na transmissão de uma informação.

“As conversas sempre se desenvolvem com base na concordância. Se logo de inicio não concordamos tacitamente que o açúcar é substância comestível, então não poderemos conversar sobre o fato de que as crianças adoram açúcar. A partir dessa base de concordância passamos a reiterar as diferenças.” (DAVID, 2007 p. 207)

E para concordamos em algo, apenas se chegarmos a um ponto de argumentação comum. E tudo isso é um problema muito grave na hora de especificar um determinado sistema. É aquele momento que o chefe fala: “faz assim”, mas ele não vai lá e faz.

Será que o jeito de fazer algo sempre é igual? Duvido de novo.

Um trecho muito interessante que ilustra perfeitamente essa disputa entre entender o que esta implicitado dentro de uma determinada informação segue abaixo:

“O filósofo alemão Martin Heidegger sempre foi considerado uma pessoa difícil de compreender, mas o que ele diz sobre significado faz sentido. O que significa um martelo? Se eu não souber que é uma ferramenta para pregar pregos, não saberei o que um martelo é.

Mas se todos souberem que serve para pregar pregos, continuarei sem saber realmente o que é um martelo.

Preciso saber no mínimo, que pregos são cavilhas de metal usadas para pregar madeira. Mas minha compreensão de um martelo chega apenas até ai. Sei também que a madeira é extraída de árvores, que árvores são plantas que crescem nas florestas, e que as plantas estão enraizadas na terra e crescem em direção à luz do sol. Para compreender o que é um martelo – não de forma abstrata, mas quando o agarramos literal ou figurativamente – é também preciso compreender que as arvores se transformam em toras de madeira porque temos uma economia que paga pessoas para executarem o trabalho.

E empunhar um martelo significa compreender que os seres humanos têm propósitos porque temos necessidades, pois não somos deuses. E também lembrar o som que um martelo faz quando atinge um prego, e talvez o cheiro que a placa de madeira exala em resposta. Tudo isso, diz Heidegger, faz parte de nossa compreensão de um martelo.

O significado de determinada coisa é proporcionado pela rede de significados implícitos pelos quais chamamos mundo.

Heidegger representa uma visão tanto familiar como não familiar de um significado. É familiar porque quando falamos sobre o significado de um evento, em geral nos referimos à maneira como esse evento se enquadra em um contexto mais amplo.

Não é familiar porque com muita frequência pensamos nas palavras como sons ou escritos que tem significado no sentido de que podemos procurar uma definição no dicionário.

Mas procuramos por uma definição quando estamos realmente sem saber. Na maioria das vezes, quando ouvimos uma palavra, não a traduzimos por uma definição.

Não transformamos cada “alô” em “n., um cumprimento comum” – mas ouvimos seu som, sua ressonância, sua intenção e suas conexões.

Entretanto, tudo isso está implícito, e é por isso que parece estranho e exagerado quando Heidegger relaciona um martelo ao Sol e a economia. Entretanto, acho que seu argumento está certo: a rede implícita de relacionamentos fornece às coisas de nosso mundo seu significado.” (DAVID, 2007 pp. 171-172)

Assim, sempre que você tentar escrever um programa e se estressar com o entrevistador ou o programador que foi o responsável pense no seguinte: NINGUÉM PENSA IGUAL PORRA!

Não é obrigação de ninguém saber o que o outro está dizendo, e quando você entrega um produto que é uma transcrição do conhecimento de outra pessoa, você precisa sim perguntar e reperguntar. Encher o saco se for preciso pois tudo está ali.

A sempre mais de uma forma de descrever algo, e isso é um problema linguístico, então não se culpe por perguntar. Pergunte, faça seu processo mental e repergunte para ver se você compreendeu. Se tudo sempre levar ao mesmo destino quer dizer que você está próximo ao entendimento.

E você, só vai entender de verdade no momento que precisar aplicar aquilo que aprendeu.

 

Technorati Marcas: ,,

17 novembro, 2009

Nova palavra para o meu dicionário

Gosto de estudar a etimologia das palavras, aliás, faz parte do meu trabalho conhecer um pouco mais sobre as origens de cada uma delas para buscar, rapidamente, sinônimos que facilitem o entendimento em uma tradução de um contexto mais técnico.

Hoje, em uma conversar informal, o termo “resiliente” bateu no meu ouvido e não foi encontrado no banco de dados mental. Discutindo a respeito dela, não chegamos a uma conclusão se era ou não, um termo comumente utilizado, pois a pessoa que a pronunciou afirmou que era muito comum e eu, disse que nunca a tinha ouvido.

Enfim, fui buscar o significado:

Resiliente
adjetivo de 2 gêneros

1- que apresenta resiliência (dã – odeio essas do dicionário)

2- que se refere à elasticidade.

3- Derivação por extensão de sentido: elástico

Etimologia: lat. resiliens, entis part.pres. do lat resilire “saltar para trás, voltar; ser impelido, relançado; retirar-se, recuar, dobrar-se, encolher-se, diminuir-se; rebentar, romper; pelo ign”. resilient (1674) ‘elástico, com rápida capacidade de recuperação’.

Pois é, ganhei o meu dia! ;-)

Aproveitando o post, ontem estava assistindo Piratas do Caribe (de novo) pela Tv e achei engraçado o tanto que a palavra “parolar” era pronunciada. Coincidentemente ou não, recebi também a origem latina dela, que segue:

perorata
El verbo perorar alude a la acción de pronunciar un discurso o, también, a la de hablar en forma demasiado solemne en un ámbito familiar. Ese acto se llama peroración y proviene del latín perorare 'declamar', 'pronunciar un discurso'. El verbo latino se formó mediante el prefijo per- y el verbo orare (hablar), con base en la idea de que estas acciones son 'algo más que hablar', denotada por el prefijo.
A veces, un discurso puede ser pesado, molesto o inoportuno y, en estos casos, usamos en español perorata, un vocablo procedente del latín peroratio, -onis. Ése es el uso que le da Pedro de Alarcón en un relato breve:

Iba, pues, el autor a seguir su perorata, cuando la deidad alzó los ojos, y con voz pura, suave e ininteligible pronunció dos o tres palabras en un idioma muy turbio, en alemán probablemente. El gesto con que acompañó estas palabras quería decir, sin duda alguna: "Caballero, soy extranjera y no comprendo jota de lo que usted me dice".

17 outubro, 2009

Olha eu no Yahoo! ;-P

Então, como sempre posto um pouco das ego-trips. Achei duas das matérias que escrevi pro Yahoo! ainda tem várias pautas para dixavar, mas vale a pena dar uma bisbilhotada:

http://br.especiais.yahoo.com/plug-play/artigo/post/tech_noticias/1/Edite-suas-fotos-online.html

http://br.especiais.yahoo.com/plug-play/artigo/post/tech_noticias/5/Cinco-dicas-para-evitar-armadilhas-virtuais.html

06 outubro, 2009

Agora é proibido dar opinião?

Estava indo dormir quando li essa notícia na Geek: Blog paulistano é censurado após publicar resenha desfavorável a bar (http://www.geek.com.br/blogs/832697632/posts/11085-blog-paulistano-e-censurado-apos-publicar-resenha-desfavoravel-a-bar).

Pronto, não resisti, resolvi vasculhar, tanto mais porque conheço pelo menos dois dos donos do site “censurado” (Resenha em 6 - http://resenhaem6.blogspot.com/) e sei que eles gostam de dar suas opiniões da forma que lhes vierem à cabeça. Não que isso seja ruim (claro).

Curiosidade é um problema, já dizia que matou o rato. Mas o que ele queria saber?

Enfim, li as notícias do burburinho, li opiniões diferenciadas, vi um vídeo de propaganda do bar, claro li o post que transcrevo abaixo e resolvi entrar no barco dar a minha opinião também, esse é o legal da interne, escrever sem papas na língua nos dedos. Aliás, será que serei comunicado extra-judicialmente por vincular a notícia?

Bom, nos ‘finalmente’ achei alguns absurdos, vamos enumerá-los:

a) Ponto negativo do Blog Resenha em 6: tom jocoso, comparação medíocre e generalização, ótimos motivos para arrumar confusão.

b) Ponto negativo ao pessoal do Boteco São Bento: dar-se ao trabalho de comunicar extra-judicialmente o blog solicitando a retirada do post do ar.

c) Ponto negativo do Blog Resenha em 6: acatar a solicitação e retirar o post do ar.

d) Ponto negativo do Boteco: não utilizar o post para um marketing positivo.

e) Ponto negativo geral: blogosfera gritando pelos ares de censura. Dã.

Vamos aos primeiros comentários dos tópicos acima: por que diabos não utilizar um pouco de bom senso ao usar palavras agressivas para expressar a opinião? Há diferença entre mandar a puta que o pariu e “que vá para ...” (você preenche a lacuna), serve de senso de medida e também de um pouco de educação. Mas enfim, palavrão e ambigüidade é um dom da nossa querida linguazinha que se encaixe nos lugares devidos. ;-)

Sério, comunicado extra-judicial – foi o que? Uma cartinha? Um e-mail? Um telegrama? Um pedido ou alguém implorou encarecidamente e isso virou um estopim que já virou boato e por ai vai? Por que diabos tucanar o comunicado? É direito do dono do bar pedir, é direito do blog negar, é dever do juiz julgar e é nosso dever PENSAR. (espero que o recado da entrelinha sirva para alguma coisa).

Mas espera ai? O dono do bar não deveria investir um pouco mais em marketing ou em melhorar o site do boteco ao invés de perder tempo brigando por ninharia? Ou utilizar o estopim de maneira criativa e gerar um belo viral e convidar quem queira conhecer e discordar? Utilizar isso a favor e não como um marketing negativo? Enfim, cada cabeça sua sentença.

Ainda assim, não concordo que o post tenha sido removido, como saciaríamos a nossa curiosidade? Por isso, louvada seja a internet, nada que uma busca não faça e eis o dito cujo do post do resenha em 6 (seis linhas)

Depois da Faixa de Gaza e do Acre, este é o pior lugar do mundo para você ir com os amigos. Caro, petiscos sem graça e, principalmente, garçons ultra-power-mega chatos: você toma
dois dedos do seu chopp, quente e azedo que nem xoxota nos tempos dos vikings, eles já colocam outro na mesa. E se você recusa, eles aindaficam putos. Só tulipadas diárias no rabo para justificar tamanha simpatia no atendimento.

  • Fui no da Vila Madalena. Dizem que o do Itaim é ainda pior.
  • Para dicas de botecos que valem a pena, leia outras resenhas aqui
  • Siga o Resenha pelo Twitter antes que eu bote outro link na mesa.

Resenhado por
Raphael Quatrocci às 23:22

Usando um artigo de 1934 do “O Jornal”, - "Não se pode concordar com o sr. Fulano". Muito bem. Mas com que diabo, então, se deve concordar, a propósito do assunto em questão? Eis aí a pergunta que fica sempre, sem resposta. (...) Prefiro que falem mal, que arrazem. Prefiro, mesmo que não falem nada, o que se diz ser o pior de tudo, mas que, francamente não é tão ruim assim. (...) Além desta falta de compreensão das categorias intelectuais, me irrita, também, muito, nos critérios, um certo jeito de dar por assentadas, por pacíficas, as ideiazinhas pessoais deles, e de julgarem assim, de plano, as do autor. Não consigo me explicar bem sobre este ponto. Quero me referir aos homens que dizem mais ou menos isto: "O sr. Fulano é muito interessante, escreve muito bem. O seu livro é bem feito, embora não se possa estar de acordo com as suas idéias, ou com as suas conclusões, etc.". E encerra a crítica sem dizer com quais idéias não se pode estar de acordo, ou quais são as que outras idéias que derrotam estas com que se não pode concordar. Enfim, uma maçada! Não há nada mais fácil nem mais covarde do que o sujeito se escudar atrás de uma pretensa e inexistente unanimidade de opiniões contrárias às idéias do autor, e, assim, derrubar malandramente o que ele afirma, sem apresentar nada que o substitua”.

UMA OBRA RABELAISIANA* - Afonso Arinos de Melo Franco

Não, não concordo que o post tenha sido removido. Concordo menos ainda com a falta de jeito do empresário ou com as opiniões de “censura” colocadas por ai, é tão fácil alardear nos dias de hoje que chega a ser cansativo ler as opiniões das pessoas.

Se houve o comunicado extra-oficial-judicial ou o diabo que for e os donos do bar se rebaixaram ao ponto de chamar a atenção oficialmente o blog, desculpe, assinou embaixo uma total falta de senso crítico.

Todos têm direito de opinar, falando mal ou falando bem. Um pouquinho de marketing em cima poderia reverter o fato para um ótimo chamariz para o bar, e tenho sinceramente minhas dúvidas sobre o fato, mas não vem ao caso.

Enfim, não dou minha opinião favorável ao comentário do resenha em 6 devido ao tom de deboche e ao péssimo gosto da resenha (se é que se pode chamar aquilo de resenha), mas enfim... internet é isso. Marketing é saber lidar com as opiniões avessas sem se dar ao trabalho de criar um reboliço.

Sim, perdi tempo divagando sobre o assunto e perdi tempo lendo o buchicho da internet. Mas a minha colaboração vai para que o post se imortalize e que isso seja difundido ao menos nas minhas apresentações de marketing.

Por que não se safar como as havianas no comercial da avozinha que falava de sexo tão abertamente? Aliás, por que coibir o comentário do rapaz que não curtiu o lugar e achou caro (caro quanto?).

Atendimento sim é fundamental, mas até ai, use o bom senso antes de gritar aos 4 cantos de censura, ou ainda assim, de comparar o Acre ou xoxota no tempo dos vikings com o chopp? Ou ainda de falar que beber wisky é muito mais “clássico”. Enfim, classes, opinões divergentes devem existir. A internet e um lugar que podemos opinar livremente, e acho que tudo não passou de uma bela perda de tempo que ganhou proporções exageradas para o tamanho do descontentamento. Mas é disso que estamos falando, da web, de viralização, de liberdade de expressar-se.

E eu, digo. Boa noite por que cansei o meu saquinho com o assunto.

E para vocês não reclamarem, segue o videozinho do bar (o marketing deles – o comercial, claro foi pago para ser produzido) dá até vontade de conhecer vendo o filme, mas me diz uma coisa? E nossa liberdade de escolha, é mais fácil gritar que eu vou ou não vou? Eu sei lá se irei, digo que não por que não tem minha cara, mas enfim... que assim seja a internet.

 

28 setembro, 2009

Capacidade administrativa da mulher

Recebi da minha namorada, meu amor, sério.. de uma hora para outra fiquei um pouco preocupado.. =P mas eu ri.. =D

 

Uma mulher andava na beira de um rio quando viu um sapo preso em uns galhos pedindo socorro. Quando ela chegou perto, ele disse:

- Me salva que eu realizo 03 desejos, mas tudo que eu der a você, seu marido ganhará 10 vezes mais.

Ela pensou um pouco, mas topou!

1º Desejo
Mulher: Quero ser muuuito, mas muuuito rica.
Sapo :Ok, mas lembre-se que seu marido será 10 vezes mais rico.
Mulher: Não tem importância, tudo que é meu é dele, e tudo que é dele é meu
.. E ela se tornou muito rica. Ele também.

2º Desejo:
Mulher :Quero ser muuuuito, mas muuuuito bonita.
Sapo :Ok, mas a mulherada vai cair em cima do seu marido porque ele vai ser 10 vezes mais bonito que você
Mulher :Não tem problema.
.. E ela se tornou rica e maravilhooooosa. Ele também.

Enfim, o 3º desejo :
Mulher :Quero ter um enfartezinho bem pequenininho... bem de leve... só um susto!...
Sapo :(mudo)

Nunca subestime a capacidade administrativa de uma mulher !!!

13 setembro, 2009

Indicações de curso online

Ninguém pode ter desculpa de que não pode aprender. A internet está cheia de locais disponíveis para você amplicar seu conhecimento. Seja através de apostilas, video-aulas e cursos a distância, não estudar é desculpa.

Confira uma pequena seleção que fiz para a próxima edição da Revista Windows.

http://www.iped.com.br – Pago – Cursos gerais
http://www.fgvonline.com.br/ – Gratuito e Pago – Curso de formação em Gerenciais.
http://www.ead.sebrae.com.br – Gratuito – Curso profissionalizante
http://cursos.universia.net/BR/acesso/1/Online.jsp – Guia de Cursos Online
http://www.abraead.com.br/diretorios.html – Anuário Brasileiro Estatístico de Educação Aberta e a Distância – listagem de Cursos Gratuitos e PAGOS.
http://www.jurisway.org.br – Gratuito e Pago – Cursos de direito online.
http://bit.ly/JlyHW – Portal do MEC das Instituições que podem ministrar Cursos à distância

03 agosto, 2009

Sete Chaves

Capitulo 1 – O ritual

A memória é deveras um pandemônio, mas está tudo lá dentro, depois de fuçar um pouco o dono é capaz de encontrar todas as coisas. (BUARQUE, 2009, p. 41)

E

ntão ele abriu os braços em formato de cruz. Olhou para cima e cerrou os olhos como se fosse capaz de ver além da cúpula que estava sobre sua cabeça. Em seguida olhou para esquerda e murmurou algumas palavras ininteligíveis. Virou a face para direita e murmurou outras palavras enquanto olhos crédulos acompanhavam seu ritual simbólico. Olhou para os pés, murmurou algumas palavras e escarrou em uma vasilha apropriada. Então, olhou fixamente para frente, além daqueles que estavam acompanhando e retirou da túnica ornamentada de dourado e verde um molho de 15 chaves.

− Para as 7 chaves da esquerda, abro os caminhos que estão a minha esquerda.

Passou a mão do centro para a esquerda do molho de chaves tilintando cada uma delas.

− Para as 7 chaves da direita, abro os caminhos que estão a minha direita.

Repetiu o gesto anterior a partir do centro para a direita.

− Abrirei vossos caminhos a partir deste espaço.

Pegou a chave do meio, vermelha, feita do mais puro cobre segundo o que lhe informará o vendedor, e dirigiu-se pelo passeio central entre aqueles que o acompanhavam e abriu a porta que lacrava o espaço.

Todos ali haviam entrado no recinto por portinholas a esquerda e a direita do altar improvisado no casebre que ele possuía para seus ritos. A sala fora enfeitada com símbolos de todas as religiões e apenas 14 cadeiras estavam dispostas, 7 do lado direito e mais 7 do lado esquerdo.

− Que a luz possa entrar por esta porta e aspergir o caminho de todos que estão presentes e que todos aqui encontrem a direção certa que procuram segundo a luz que se fez.

Guardou o molho de chaves e retornou para o altar improvisado.

Com um pequeno controle remoto em seu bolso pressionou play para que os cânticos iniciassem em um estéreo pequeno localizado ao alcance. Ajoelhou-se, fechou os olhos como se entoasse as mais profundas orações e pensou: “Deus, por que, por mais que eu tente abrir os caminhos daqueles que estão ao meu lado, o meu caminho parece tão escuro? Por que não mostras um sinal de que cada um desses rituais que todos crêem funcionar tão bem, para mim parecessem apenas alegorias para que os mais inocentes acreditem que eu tenha algum poder dado por ti ou por teus guardiões?”.

- Vão em paz amigos, sigam seus instintos que as repostas serão dadas aqueles que têm fé.

Um a um os que estavam sentados nas 14 cadeiras deixaram o local com comentários abafados e olhar baixo.

“Como é possível um ritual tão pequeno e curto operar tantos milagres” pensava um.

“Como é que ele faz isso? Será que ele foi abençoado quando era pequeno” pensava outro “mas da última vez que vim consegui reatar com a Maria, o cara é bom mesmo”.

“Queria entender o ritual que ele faz, o que tantos símbolos fazem no altar dele, ele é um idiota, como sobrevive com isso?” pensava o outro enquanto olhava para traz e via Dulceu Esfier sentado ao pé do altar observando todos que saiam.

- Vá em paz amigo a minha desavença é minha cruz – sibilou Dulceu Esfier para surpresa de Méaom enquanto este ainda pensava nas coisas que já havia ouvido falar e nas coisas que ele mesmo presenciara e relutava em acreditar.

Quando todos saíram, Dulceu levantou-se com um gemido de dor nas pernas, olhou para o centro do altar onde havia um incensário que deixava escapar um pouco de vapor e orou em silêncio para que ele obtivesse a iluminação que desejava.

“Gostaria ó Pai, que mesmo eu sendo sua ferramenta, pudesse transmitir de alguma maneira palavras e bênçãos que acreditasse ser possíveis de acontecerem. Gostaria de não duvidar mais, de olhar para frente com a fé redobrada de quando eu era jovem e cria que era possível milagre acontecer.” Então abriu os braços e falou:

- Que o chão trema! Que a luz da lua se esconda! Que a vela que ilumina este santuário se apague!

Com o coração aos pulos observou que absolutamente nada aconteceu.

23 julho, 2009

Medo da inteligência

Não sei o autor.

Quando Winston Churchill, ainda jovem, acabou de pronunciar seu discurso de estréia na Câmara dos Comuns foi perguntar a um velho parlamentar, amigo de seu pai, o que tinha achado do seu primeiro desempenho naquela assembléia de vedetes políticas.

O velho pôs a mão no ombro de Churchill e disse, em tom paternal: "Meu jovem, você cometeu um grande erro.Foi muito brilhante neste seu primeiro discurso na Casa. Isso é imperdoável Devia ter começado um pouco mais na sombra. Devia ter gaguejado um pouco. Com a inteligência que demonstrou hoje, deve ter conquistado, no mínimo, uns trinta inimigos. O talento assusta".

Ali estava uma das melhores lições de abismo que um velho sábio pôde dar ao pupilo que se iniciava n'uma carreira difícil. Isso, na Inglaterra. Imaginem aqui, no Brasil.

Não é demais lembrar a famosa trova de Ruy Barbosa: "Há tantos burros mandando em homens de inteligência,que, às vezes, fico pensando que a burrice é uma Ciência".

A maior parte das pessoas encasteladas em posições políticas é medíocre e tem um indisfarçável medo da inteligência.

Temos de admitir que, de um modo geral, os medíocres são mais
obstinados na conquista de posições. Sabem ocupar os espaços vazios deixados pelos talentosos displicentes que não revelam o apetite do poder.

Mas, é preciso considerar que esses medíocres ladinos, oportunistas e ambiciosos, têm o hábito de salvaguardar suas posições conquistadas com verdadeiras muralhas de granito por onde talentosos não conseguem passar.

Em todas as áreas encontramos dessas fortalezas estabelecidas, as panelinhas do arrivismo, inexpugnáveis às legiões dos lúcidos.
Dentro desse raciocínio, que poderia ser uma extensão do "Elogio da Loucura", de Erasmo de Roterdan, somos forçados a admitir que uma pessoa precisa fingir de burra se quiser vencer na vida.
É pecado fazer sombra a alguém até numa conversa social.

Assim como um grupo de senhoras burguesas bem casadas boicota, automaticamente, a entrada de uma jovem mulher bonita no seu círculo de convivência,por medo de perder seus maridos, também os encastelados medíocres se fecham como ostras, à simples aparição de um talentoso jovem que os possa ameaçar.

Eles conhecem bem suas limitações, sabem como lhes custa desempenhar tarefas que os mais dotados realizam com uma perna nas costas...  Enfim, na medida em que admiram a facilidade com que os mais lúcidos resolvem problemas, os medíocres os repudiam para se defender.

É um paradoxo angustiante! Infelizmente, temos de viver segundo essas regras absurdas que transformam a inteligência numa espécie de desvantagem perante a vida. Como é sábio o velho conselho de Nelson Rodrigues... "Finge-te de idiota, e terás o céu e a terra".

O problema é que os inteligentes gostam de brilhar! Que Deus os
proteja, então, dos medíocres!...

22 julho, 2009

A arte de acreditar, ser escolhido e escolher.

Quando Deus criou o homem, ou quando o big-bang iniciou o processo de aceleração universal, nós começamos a escolher. Escolhemos viver sob a luz do sol ao invés da noite, talvez pela facilidade de caça, pela segurança e pelo nosso instinto de auto-preservação.

Nós não fomos feitos para tal coisa. Claro que fomos, fomos feitos para tudo, pois nós criamos cada um dos elementos que regem hoje o nosso dia-a-dia. Foram as escolhas dos nossos antepassados que nos levaram aos caminhos que percorremos hoje e são as nossas escolhas que levarão nossos descendentes aos caminhos que eles trilharão.

Quantas vezes você já ouviu falar que devemos preservar o mundo para nossos filhos, netos ou bisnetos?

O que eu quero dizer é que tudo a nossa volta é uma questão de crença e escolha. Cremos que deixamos de acreditar em um ser supremo, cremos que devemos seguir nossos caminhos por qualquer direção que nos convenha, mas na verdade, não nossas escolhas e nossa capacidade de ser escolhido é que decide.

Na verdade a idéia deste texto nem é tanto de refletir sobre as questões do universo. É um pouco de auto-reflexão para decidir, escolher qual a opção que quero para o meu próprio caminho.

A idéia de que eu sou responsável pelas minhas escolhas chega a ser assustadora, pois nesse caso, eu deveria admitir que eu escolhi ficar duro, sem um tostão furado para ter a vida que tenho hoje. Não deixa de ser verdade. Foram minhas decisões que me trouxeram até aqui, e sinceramente? Não me arrependo. Estou duro, mas estou feliz.

Entretanto, a ambição é um adjetivo intrínseco ao ser humano, e a minha preocupação com o futuro é latente. A inveja, também o é. Oh, puxa-vida, como invejo os perseverantes que conseguiram seguir em frente e criar grandes corporações e hoje podem dar-se ao luxo de escolhas melhores do que as do tipo: pago conta x ou conta y?

Não que eles não tenham que fazer escolhas diárias, mas seria muito mais interessante fazer escolhas com dinheiro no bolso não?

Enfim, não cobiçar a cruz alheia, sei que dinheiro no bolso só não é felicidade. E que felicidade sem dinheiro também dá trabalho e cria atritos.

Mas estou fugindo do assunto. A idéia é: A arte de acreditar, ser escolhido e escolher. Por que resolvi falar sobre isso? Simples. Eu queria muito acreditar. Voltar a crer. Olhar para o futuro e acreditar que há forças regentes. Sim, eu acredito em Deus, não é essa a questão. Queria acreditar que existem mais coisas entre o céu e a terra do que ele apenas nos observar a tomar nossas decisões lá de cima sem interferir.

Queria acreditar como quando eu tinha meus 15 anos, que um ritual, talvez salvasse o pedaço. Queria muito ouvir a voz do coração para despertar a fé, no sentido literal da palavra é seguir em frente através dela.

Essa é a necessidade de se esforçar para a arte de acreditar, e eu queria muito acreditar. Acreditar em incorporações. Acreditar que há um outro lado que nos ajuda ou nos atrapalha. Acreditar que tudo não passa de um placebo para nossa necessidade constante de apoio.

E nesse caso, escolher e ser escolhido são totalmente ligados a isso, em todas as questões. Aliás, poder-se-ia dizer que acreditar escolher e ser escolhido, assim como entrada, processamento e saída são ligações indizíveis.

Tudo faz parte de um triplece síntese das coisas que realmente acontecem no mundo. Para eu ser escolhido, tenho que escolher acreditar. Mas para escolher a acreditar eu deveria escolher um caminho que me levasse a essa forma de pensar.

Não é tão simples. Acreditar, faz com que escolhemos de forma monumental os nossos passos e que façamos de tudo para seguí-los. Mas como acreditar se não conseguimos escolher o caminho que desejamos sem abrir mão daquilo que nos faz bem?

Não sei. Alguém tem a receita mágica e indolor? Dúvido.

Cansei desse texto.

26 junho, 2009

Aprender/Compreender - saber/conhecimento - A palavra pertence metade a quem a profere e metade a quem a ouve.

Cognitivo remete, evidentemente, a conhecimento e saber, e, principalmente, a compreender e aprender, mas também a produzir. Um "mau aluno" acumula os déficits quando não compreende, não aprende suas lições e produz um trabalho considerado insuficiente. Ocorre o oposto com o "bom aluno". Ora, compreender, aprender, produzir, constitui atividades simbólicas: para cada uma delas, o aluno trabalha sobre signos e discursos (La Bordierie, 1991 em   Les sciences cognitives en éducation By René La Borderie, Nicolas Sembel, Jacques Paty)

Ora, o domínio dos conhecimentos implica três tipos distintos de atividade: as atividades de compreensão "que consistem em construir interpretações"; as atividades de aprendizagem, que consistem em modificar ou reestrutura os conhecimentos anteriores e em estabilizá-los em um dado momento (Richard, 1990); e as atividades de produção, que consistem em por em prática (por meio de textos ou objetos) as aprendizagens efetuadas. Lembremos ainda Montaigne: "Cabeça bem-feita, cabeça bem cheia".

http://www.google.com.br/books?id=fNWi_sedZcAC&pg=PA48&dq=saber+%2B+aprender+%2B+conhecimento&lr=&ei=YzNFSpWjJKeEyAT5-uhk&hl=en

O saber, relacionado ao conhecimento implica questionamentos e esforços voltados à informação que possa agregar valor ao trabalho. O conhecimento é o que se deveria saber para desenvolver com qualidade aquilo que lhe é atribuído.

O saber-fazer, correspondendo as habilidades: centraliza-se no desenvolvimento de pra´ticas e consciência da ação tomada. As habilidades são o que se deveria saber para obter um bom desempenho.

O saber-ser, vinculado às atitudes: busca um comportamento mais condizente com a realidade desejada. Nesse momento, a realiza-se a união entre discurso e ação. Deve-se saber agir para se poder empregar adequadamente os conhecimentos e habilidades.

 

http://www.google.com.br/books?id=75cExd9DgKkC&pg=PA19&dq=saber+%2B+aprender+%2B+conhecimento&lr=&ei=YzNFSpWjJKeEyAT5-uhk&hl=en

18 junho, 2009

A importância do valor dado

Hoje enquanto eu tomava meu banho fiquei pensando neste texto. Faz muito tempo que não escrevo algo focado, com um propósito, e enquanto pensava nas coisas da vida veio esta idéia.

Então se prepare: este será um texto quase daqueles que se lê em livros de auto-ajuda.

A importância do valor dado

Lembro quando na faculdade, um professor deu um exercício sobre valor. Qual o valor de um produto ele perguntou na época e todos tivemos que escrever o que era o valor empregado a um produto. Não, não era o preço, era o valor. O que ele proporcionava. Bem estar? Quanto valia isso e quanto poderia ser agregado em precificação na época para tal valor?

Enfim, exercício a parte, hoje me peguei pensando no valor que empregamos às coisas do dia a dia. Quanto valor nós atribuímos a coisas certas, que nos dão prazer e nos são caras e quanto valor empregamos em coisas sem serventia?

Quando deixamos de dizer a pessoas que realmente importam que elas são importantes para nós para nos dedicar tão exclusivamente ao emprego, ao trabalho onde podemos ser substituídos de um dia para outro, só por que chegou uma máquina ou um estagiário melhor que a gente.

Costumava dizer, quando era gestor de um departamento, que ninguém é insubstituível e referia-me a mim mesmo naquela época. E hoje a empresa, garanto, está como estava ou até melhor sem a minha presença. E a que preço? Sim, nesse caso a que preço.

Na época eu era uma pessoa estressada, de cara amarrada, ria muito pouco e não me importava em dizer a algumas pessoas que gostava delas e nem dava a devida atenção. Hoje, posso garantir que melhorei isso, e aqueles que me são caros, mãe, Shirlei, alguns amigos, sabem mesmo que não tão diretamente que eles o são importantes para mim.

Talvez tenha sido fruto de algum tempo de análise, mas talvez seja só maturação mesmo. A idade dos 30 anos faz a gente repensar alguns pontos.

Mas hoje posso ver claramente que um abraço em uma pessoa que gostamos é muito mais importante que chegar at point, mesmo por que, o tempo que levaremos para dar esse abraço ou dar um pouco mais de atenção, desperdiçamos no Orkut, no MSN e em outros milhões de ferramentas que adivinhem? Junta as pessoas que: Gostamos.

Então, qual o valor que atribuímos ao afago a um cachorro que faz uma festa imensa só por nos ver? Qual o tempo que ganhamos por abraçar um pouco as pessoas que estamos juntos e falar, oi eu te amo. Qual o tempo que “perdemos” por dar um minuto de atenção (talvez um pouco mais) para essa pessoa. Realmente isso muda a nossa vida a ponto de termos que sair correndo?

Certo, graças aos problemas, e preocupações de hoje, temos sim que correr, correr, correr. Mas para que? Para onde estamos tentando ir se muitas vezes o que mais procuramos e mais queremos é aquele simples lugar calmo, sem tumulto que custa menos do que esperamos?

Qual o objetivo de vida? Acho que viver. Qual o objetivo de ter tanto dinheiro? De viver? Ou somente seria gastar e ganhar mais e gastar e ganhar mais e na verdade não aproveitar um poucos momentos de felicidade, parado, abraçados olhando um lago sereno e alguns patos a gritarem?

Qual a importância e o valor que atribuímos as coisas? Qual o valor correto a atribuir às coisas? Por que e para que correr tanto se não vamos pegar um trem? E se perdemos esse trem? Perderemos o que? Por que ficamos tão bravos? Tão chateados?

Damos atenção as devidas pessoas que estão do nosso lado? Eu posso dizer que eu não dou. Gostaria de dar mais atenção a minha mãe, aos meus amigos, a minha família. Mas por que não faço isso? Por que estou correndo na internet para ler algum texto bobo que me mostre exatamente o contrário disso?

Agora me lembrei do comercial da MTV que dizia: Desligue a TV e vá ler um livro!

A idéia foi genial, mas será que alguém foi realmente ler um livro ao invés de continuar a assistir a programação? Engraçado que nem sempre damos atenção devido a isso. Por que agora, ao invés de ler este texto, você não liga para alguém que você gosta e fala, oi, só liguei para falar que gosto de você.

Pois é. Hoje eu sei que isso é mais importante do que correr, correr, correr para não chegar a lugar algum.

06 maio, 2009

Como Contratar um funcionárioComo Contratar um funcionário

O método consiste em:

1-Colocar todos os candidatos num galpão

2-Disponibilizar 200 tijolos para cada um.

3-Não dê orientação alguma sobre o que fazer.

4-Tranque-os lá.

Após seis horas, volte e verifique o que fizeram.

Segue a análise dos resultados:

1 - Os que contaram os tijolos, contrate como contadores.

2 - Os que contaram e em seguida recontaram os tijolos, são auditores.

3 - Os que espalharam os tijolos são engenheiros.

4 - Os que tiverem arrumado os tijolos de maneira muito estranha, difícil de  entender, coloque-os no Planejamento, Projeto e Implantação Controle de  Produção.

5 - Os que estiverem jogando tijolos uns nos outros, coloque-os em  Operações.

6 - Os que estiverem dormindo, coloque-os na Segurança.

7 - Aqueles que picaram os tijolos em pedacinhos e estiverem tentando  montá-los novamente, devem ir direto à Tecnologia da Informação.

8 - Os que estiverem sentados sem fazer nada ou batendo papo-furado, são dos  Recursos Humanos.

9 - Os que disserem que fizeram de tudo para diminuir o estoque mas a  concorrência está desleal e será preciso pensar em maiores facilidades, são  vendedores natos.

10 - Os que já tiverem saído, são gerentes.

11 - Os que estiverem olhando pela janela com o olhar perdido no infinito,  são os responsáveis pelo Planejamento Estratégico.

12 - Os que estiverem conversando entre si com as mãos no bolso demonstrando  que nem sequer tocaram nos tijolos e jamais fariam isso, cumprimente- os com  muito respeito e coloque-os na Diretoria.

13 - Os que levantaram um muro e se esconderam atrás são do Departamento de  Marketing.

14 - Os que afirmarem não estar vendo tijolo algum na sala, são advogados,  encaminhem ao Departamento Jurídico.

15 - Os que reclamarem que os tijolos 'estão uma porcaria, sem  identificação, sem padronização e com medidas erradas', coloque na  Qualidade.

16 - Os que começarem a chamar os demais de 'companheiros' , elimine-os  imediatamente antes que criem um sindicato.

Atenciosamente,

Psicólogo Chefe

16 abril, 2009

Taxonomia X Folksonomia

Lembro quando comecei a trabalhar com sites e a habilidade de organizar as coisas em pastas e arquivos foi muito bem apreciada para dar estrutura ao site. Depois de alguns anos trabalhando, pondo ordem nas coisas, no computador, criando diretórios (pastas) e separando arquivos foi que foram me dizer que aquele processo era chamado de taxonomia.

Enfim. Hoje ainda na pesquisa que estou trabalhando, achei uma boa explicação do que é um e do que é outro que compartilho aqui, por que segundo Tim O'Reilly, fundador da alcunha, Web 2.0 uma das diferenciações da web 1.0 para a 2.0 é a evolução da taxonomia para a folksonomia.

Taxonomia (taxonomy) é o estudo da classificação das coisas. É o ato de dar nomes, classificar, identificar. Taxonomia é assunto de diversas áreas do conhecimento humano como a computação, antropologia, biologia dentre outras. Quando um cientista classifica um novo inseto, ele procura classificá-lo dentro de uma categoria já existente, baseado em uma lógica estabelecida, verifica qual família ele pertence e no fim encontra o nome mais adequado àquela espécie. Isso é taxonomia. O ato de classificar as coisas.

Agora, folksonomia

Folksonomia (folksonomy) é a junção de duas palavras “folk” (povo, gente) e “taxonomia”. A origem desta palavra é atribuida a um arquiteto da informação chamado Thomas Vander Wal também atual membro do Web Standards Project. O resultado final é algo do tipo “classificação do povo”. Mas não associe isso com a classificação de pessoas em si, e sim com classificação feita por pessoas.

Folksonomia é uma forma relacional (criar relações entre coisas) de categorizar e classificar na web. Ao invéz de utilizar uma forma hierárquica e centralizada de categorização de alguma coisa, o usuário escolhe palavras-chaves (conhecidas como “tags”) para classificar a informação ou partes de informação. Tag em inglês significa “etiqueta”, “identificação”. “Taggear” é identificar, etiquetar alguma coisa. Não confunda o termo tag abordado aqui com as tags de HTML, eles são dois processos distintos de classificar (dar significado?) as coisas.

Trecho retirado sem autorização do Blog Revolução, etc e tal mas que vai servir pra minha pesquisa e fica como fichamento mesmo! :P Não to procurando visita no meu blog, só estou tentando juntar informações. Gostou. Vai lá e le o texto todo: http://revolucao.etc.br/archives/category/folksonomy/

Inteligência Coletiva X Unanimidade Burra

Estou eu trabalhando na apresentação sobre web 2.0. O problema, adaptar uma linguagem técnica que não concordo totalmente a uma linguagem que seja entendida e explicada sem deixar transparecer uma opinião totalmente contrária ao que está sendo ilustrado, mas deixar claro que existem fatores bons e ruins.

Enfim… isso signifca que Raulzito aqui está indo e vindo em teses e antíteses, em perguntas e afirmações que se contrapoe. Enfim, duas coisas foram úteis e serão transferidas para cá.

1 – Inteligência coletiva. O que você entende por isso? Um grande cérebro colado a cuspe a partir de outros cérebros?

Talvez, um pouco ou quase isso é a idéia do pesquisador que lançou o termo e que sustenta a base em 3 pilares que seguem. A inteligencia coletiva é formada por 3 tipos de inteligencias: inteligência técnica, conceitual e emocional.

(1) o técnico, que vai dar suporte estrutural à construção das idéias e pode ser exemplificado pelas estradas, prédios, meios de comunicação (coisa);

(2) o cultural, mais abstrato, representado pelo conhecimento registrado em livros, enciclopédias, na World Wide Web (signo);

(3) o social, que corresponde ao vínculo entre as pessoas e grau de cooperação entre elas (cognição).

Mas qual o motivo do título do post. É que ao tentar transmitir a idéia de que a unidade gerada pode gerar tanto lixo, como vemos hoje ao efetuar uma pesquisa na internet que frase de Nelson Rodrigues me veio a cabeça. Fui tentar vincular a + b quando caí noutra página que dizia:

A UNANIMIDADE INTELIGENTE



Muitas pessoas, sem pensar, usam a terrível afirmação de Nelson Rodrigues: "Toda unanimidade é burra". E imagino que Nelson chamaria de "cretinos fundamentais" ou de "grã-finas com narinas de cadáver" (dependendo do caso) aqueles a quem ouvisse repetir esta sua famosa frase.

Trata-se de uma frase de efeito. Como aquela outra: "Nem toda mulher gosta de apanhar, só as normais". Ou esta: "Um suicida já nasce suicida". Expressões que Nelson colecionava para nos fazer refletir, provocar polêmica, e não para encerrar discussões ou aumentar o número de lugares-comuns.

Frase de efeito que é também armadilha de Nelson. Quando todo mundo concordar que toda a unanimidade é burra ficará comprovado que toda a unanimidade é burra mesmo!

A palavra "unanimidade" vem do latim unanimis. Significa, simplesmente, que duas ou mais pessoas vivem com um (unus) só ânimo (animus). Um time de futebol bem treinado, uma equipe de trabalho bem articulada, dois amigos leais, um casal que pensa e age em harmonia são exemplos de unanimidade inteligente.

Em dados contextos, sim, a unanimidade pode ser burra. É burrice todos obedecerem cegamente a uma ordem que vem não se sabe de onde com finalidades obscuras ou inconfessáveis. É burrice, por exemplo, comprarmos um livro pelo único fato de ele constar da lista dos mais vendidos. Unanimidade inteligente começa na alma de cada um. Começa na individualidade. Na luta pessoal contra as nossas intolerâncias, contra essa tendência a só sentir as próprias dores, a observar o mundo pelo buraco de um canudinho.

Unanimidade inteligente requer a liberdade de distinguir entre o direito nosso de questionar e o dever nosso de comprometer-nos. Requer, mais ainda, a capacidade de reconhecer que podemos estar errados e a maioria estar certa...

Existem unanimidades excepcionais. Os especialistas da educação são unânimes, por exemplo, ao afirmar que todo aluno pode descobrir o prazer de aprender. Esta verdade ajudará os professores a trabalharem com ânimo e esperança.

Espero que sejamos unânimes, também, quanto a certas idéias e valores que nos obrigam a repensar nossa conduta, pedir perdão, desdizer o que dissemos, enfim, melhorarmos como pessoas.

O ser humano é perfectível. Seremos mais humanos se formos unânimes naquilo que valha a pena. A melhor forma de vencer a unanimidade burra é participar da unanimidade inteligente.

(HTTP://www.correiocidadania.com.br/ed408/perisse.htm)

Gabriel Perissé

Ou seja, a conclusão que chego é que o sistema atual serve realmente para confundir, fazer a inteligência crescer àqueles que estão preparados.

Pode parecer um pouco de paranóia minha, mas acho que serve mais ou menos como a religião. Pois acredito que muita gente precisa da igreja para não sair desenfreado a cometer loucuras ou desatinos, e a “regra” da sua crença chega para domá-los, diferente, daqueles que sobem um degrau e começam a raciocinar por conta e risco.

Vale dizer, como exemplo, a idéia de não usar camisinha pregada pela igreja. É um assunto totalmente incompativel com a época mas realmente é contra os dogmas pregados por eles, ou seja, é um paradoxo mental que chegou com a quantidade de gente no mundo e a velocidade e disseminação da informação.

Nossa, realmente tá dificil colocar minhas idéias as claras, mas por partes. Hoje, se você tem um argumento ou uma tese, deve enfrentar muitas antiteses e argumentos que são diferentes dos seus pois, as pessoas são diferentes. E algumas pensam.

Não ainda não ficou boa a explicação. Vamos supor, que em uma grande comunidade você não utilize algumas praticas ou dissemine algumas idéias e ideais. A comunidade é reduzida aqueles que tem o mesmo sentido e acreditam no mesmo caminho, com o passar do tempo, a comunidade ganham membros por afeição, ou distorções proporcionadas pela descrição “resumida” dos ideais, e esses membros que chegaram aquele ponto se decepcionam pois não era “bem aquilo que procuravam” e começam a debater as idéias.

Enfim… isso acontece tanto pela quantidade de informação quanto a tentativa de grupo. É difcil definir e dar uma determinada idéia de alguma coisa sem que a interpretação seja subjetiva.

Vamos a um exemplo que gosto de utilizar: para você bizarro signifca o que? Pense a respeito. Agora leia o que está no dicionário Houaiss.

bizarro

Datação
a1595 Jorn 72
Acepções
■ adjetivo
1    que se destaca pela boa aparência ou expressão pessoal; bem-apessoado
1.1    que tem bom porte ou boa postura corporal; garboso
1.2    elegante nos gestos e nos trajes
2    que se faz notar pelo refinamento das maneiras ou pela pureza do caráter
2.1    primoroso no comportamento; gentil
2.2    dotado de magnanimidade; nobre, generoso, liberal
3    que demonstra seu valor pessoal em grandes feitos
3.1    dotado de valentia; brioso
4 Derivação: por extensão de sentido.
digno de admiração ou louvor; magnífico, esplêndido (diz-se de ação, comportamento etc.)
5    que se impõe ou tenta se impor perante os demais
5.1    que demonstra insolência; arrogante
5.2    jactancioso, bazofiador
6 Uso: informal.
bem-disposto física e/ou moralmente; que tem ou está com boa saúde
Ex.: anda b. e feliz
7 Uso: informal.
que é esquisito, estranho, excêntrico
Etimologia
esp. bizarro (sXVII) 'varonil, guapo, generoso'; a acp. 'estranho, esquisito' por infl. do fr. bizarre (sXVI) 'extravagante'; o voc. provém do it. bizarro 'furioso, fogoso', formado de bizza 'cólera, ira', prov. de orig. onom. + -arro suf. aum. pej.; ver bizarr-; f.hist. a1595 bisaro, 1679 bizarra
Sinônimos
ver antonímia de malvado e cafona e sinonímia de gabola, excêntrico, elegante e belo
Antônimos
ver antonímia de belo, elegante, excêntrico e presumido e sinonímia de cafona e malvado
Gramática
acp 7 consid. gal. pelos puristas, que sugeriram em seu lugar: estranho, extravagante, excêntrico, desusado

Afinal, como é possivel em um ambiente onde os termos se tornam obsoletos e diferentes, propor uma idéia no seu interim de maneira que ela não se ramifique para outros tipos de ideias ou ideais? Enfim, esse conjunto forma a inteligencia coletiva que cada vez mais torna as pessoas burras.

Eu me sinto burro por que por mais que eu tente agregar um conhecimento ou acreditar que saiba alguma coisa a ponto de poder falar a respeito, a cada instante, só mais dúvidas me fazem acreditar que não é o caminho.

Mas se o caminho não for traçado devido a dúvida paramos de evoluir, ou seja, é necessário caminhar sobre a dúvida e seguir tentando, acertando, errando, não tendo certeza de mais nada. Por que o que hoje é certo, amanhã estará errado e o que é errado hoje, pode ser o certo amanhã.

Dificil? Era certo acreditar que algumas coisas deveriam permanecer em determinada fase da história, hoje sabemos que a unanimidade daquela epoca era burra. Mas devemos acreditar que não há burros ou burras, não há nada de certo ou errado, há somente consciência e inteligencia burra de um grupo de burros. Afinal 1 milhão de lemmings não podem estar errados não é? Oh puxa, todos morreram.

Enfim… piadas nerds a parte. Sei que a melhor frase até hoje é: Tudo que sei é que nada sei.

E que se eu fosse um filósofo talvez surtasse completamente pois como vampiro geek já está dificil não acontecer para tentar explicar web 2.0 a quem não tem idéia do que pode ser isso.

Afinal, a inteligencia coletiva é burra? Não, por que ela é um grupo de pessoas tentando articular informações, mas e se a base dela estiver errada e todos no projeto cognitivo estiverem errados?

Enfim. Se eu continuar pensando nisso com certeza não vou terminar de fazer a minha apresnetação,pois não há resposta. Claro que há. Você tem uma e eu tenho outra, e as duas formarão uma terceira. No final, ambos estaremos errados e nossos filhos mostrarão que o caminho que estamos seguindo era tortuoso, mas que ele não estaria na descoberta, se nós não tivessemos errado primeiro.

This is evolution baby.

boa noite.

01 abril, 2009

Para o amor perdido

Copiado e colado.

mais textos de Fernanda Young

Fiquei triste. Num momento você estava aqui, no outro já não estava. Igual a um bicho de estimação que morre de repente e somem com o corpo.
Para onde foi tudo aquilo? Que tínhamos tão seguro. Tão certos de sua eternidade. Para onde foi, hein? Meu peito, depósito subitamente esvaziado, aperta-se no meio de tanto espaço.Tento identificar o instante, quando o que tínhamos se perdeu. Mas nem sei se o perdemos juntos ou se juntos já não estávamos. Me desespera saber que um amor, um dia desses tão grande, possa ter desaparecido com tanta facilidade.

Como já disse, estou triste; e isso me faz acreditar no poder das cartas. Não falo de tarô, mas destas, escritas e mandadas ou não mandadas. Cheias de questões e metáforas, que assim, misturadas cuidadosamente, num cafona português polido, soam mais sensatas.

Qual poder espero desta carta? Simples: que deixe registrado este meu estranho momento. Quando o que devia ser alívio revela-se angústia. E a cabeça não pára, vasculhando cantos vazios.Não gosto de perder as minhas coisas, você sabe. E hoje, cercada pela sua ausência, procuro o que procurar. Experimentando o desânimo da busca desiludida. Pois, se um amor como aquele acaba dessa maneira, vale a pena encontrar um outro? Será inteligente apostar tanto de novo?Aposto que você está pouco se lixando para isso tudo. Que seguiu sua vida tranqüilamente, como se nada de tão importante tivesse ocorrido. E está até achando graça desta minha carta, julgando-a patética e ridícula. Você, redundante como sempre.

Só há uma coisa certa a respeito disso: não desejo resposta sua. É, esta é uma daquelas cartas que não são para ser respondidas. Apenas lidas, relidas, depois picadas em pedacinhos. Sendo esse o destino mais nobre para as emoções abandonadas.

Queria apenas pedir um favor antes que você rasgue este resto do que tivemos. Se algum dia, tendo bebido demais, sei lá, você acabar pensando tolices parecidas com estas, escreva também uma carta. Mesmo sem jamais saber o que você irá dizer, sei que ela fará de mim menos ridícula. Neste amor e, por isso, em todo o resto. Pois adoraria que você fosse capaz de tanto - escrever uma carta é um ato de desmedida coragem. E eu ficaria, enfim, feliz comigo, por tê-lo amado. Um homem assim, capaz de escrever bobagens amorosas.Então é isso - como sou insuportavelmente romântica, meu Deus. Termino aqui essa história, de minha parte, contando que estas palavras façam jus ao fim do amor que senti. E deixando este testamento de dor, onde me reconheço fraca e irremediável. Porque ainda gostaria de poder acreditar que você nadaria de volta para mim.

03 março, 2009

Frase perfeita

“Compreendo muito bem seu principal problema: a dificuldade que o amante tem de provar ao outro que o ama; sua insegurança face ao outro, que ele nunca sabe se compreendeu bem seus sentimentos; uma incerteza que está sempre presente no amor. Preciso que me digam todos os dias que me amam, e todos os dias isso é algo novo, jamais é conquistado de maneira definitiva. De um dia para o outro, o amor pode acabar. É como um milagre, e todos os dias é preciso comprovar que ele continua a existir.”

Pedro Almodóvar sobre o personagem Ricki em Ata-me Do livro Conversas com Almodóvar de Frederic Stra

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