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17 janeiro, 2014

O que eu quero e a queda da paixão…

(revista pela terceira vez pós publicação para corrigir alguns erros…)

Perguntaram-me o que eu quero.

Resposta difícil essa, muito difícil.

Pensei em dizer: mudar o mundo.

Mas não o mundo muda à sua velocidade e este grão de gente tem uma pequena e mísera contribuição para isso.

Para mudar o mundo seria preciso genialidade, sorte, força, presença e esse algo que busco e não sei o que é. E pensando um pouco mais, nos dias de hoje: muito marketing pessoal, poder, abnegação e martírio.

Definitivamente não cheguei ao status de divindade para sofrer por essa mudança. Olhando fundo, não sou tão altruísta. Gosto do meu circulo e espaço, mesmo que seja dentro da minha cabeça um tanto confusa.

Pensei mais um pouco e a resposta surgiu: mudar as pessoas!

Mas as pessoas são diferentes e mutáveis.

Tantas se transformaram com o tempo; para pior e para melhor. Foram tantas que conheci, que conheço e desconheço.  Nem mesmo elas se conhecem, como mudar o desconhecido?

Tantas me decepcionaram e tantas outras me surpreendem positiva e diariamente.

Surgem e se vão.

Não, não quero mudar as pessoas, queria no máximo dar um pouco de autossenso crítico para suas escolhas, mas as variáveis são tantas que com certeza aberrações continuariam a aparecer, melhor não querer mudá-las.

Seria quase como um aparelho que pode brilhar ou explodir. Podem virar criaturas incontroláveis (já o são, não?) e o que nos leva ao mesmo ponto e, chegamos o problema de não querer mudá-las, o ciclo parece-me inquebrável.

Então, o tempo delas é necessário e a auto mudança é o que posso desejar a você e a mim. Não que alguém o faça.

Não, definitivamente não quero mudar as pessoas, queria eu ser tão otimista a ponto de me arriscar tanto, mas não, imprevisível demasiadamente.

Então interiorizei: quero me mudar!

Opa, pera lá. Isso na segunda leitura soa muito estranho. Vamos deixar claro, não estou falando de mudança física de cidade, pais ou estado, de grupo ou talvez esteja. Xi. Complicou. Continuemos.

Sou mutável. Aprendo, ouço e escuto, leio e vejo, mudo a cada instante, cada célula, cada pensamento e cada ideia que se forma na minha cabeça, não estou mudando agora tentando entender o que eu quero?

Mudo a cada segundo. Isso já acontece, eu já me transformo a cada instante, inclusive de opinião. Não. A Resposta não é essa.

Nesse raciocínio, pensei em paixão, ah, a paixão. Aí me lembro de um livro, do Mario Sergio Cortella que dizimou o meu entendimento de paixão, na verdade a paixão não é boa. E o que eu quero é bom, eu sinto. Mas a paixão, tão gostosa...

Não era mais possível dizer a mim: quero me apaixonar. O conhecimento. Triste. Frio.

Fui, teimoso, até o dicionário procurar o significado da palavra com esperanças de ser isso: Quero paixão, quero, preciso, ah! Me dê paixão! (os grifos do texto abaixo são meus, ok?)

paixão: substantivo feminino ( sXIII) – 1. O sofrimento de Jesus Cristo na cruz. 2. o segmento do Evangelho que trata do martírio de Cristo; esse martírio, e o dos santos. 3. Peça teatral cantada, ou oratória sobre o tema da Paixão. 4. Grande sofrimento; martírio. 5. Gosto ou amor intensos a ponto de ofuscar a razão; grande entusiasmo por alguma coisa (!); atividade, hábito ou vício dominador. 6. A coisa, o objeto da paixão ou da predileção. 7. Furor incontrolável; exaltação, cólera. 8. Ânimo favorável ou contrário a alguma coisa e que supera os limites da razão; fanatismo. 9. Sensibilidade, entusiasmo que um artista transmite através da obra; calor, emoção, vida. 10. No kantismo, inclinação emocional violenta, capaz de dominar completamente a conduta humana e afastá-la da desejável capacidade de autonomia e escolha racional por oposição a ação ('atividade livre'). 11. No nietzschianismo, estado em que determinado afeto organiza e orienta toda a difusa emotividade humana em uma disposição plena de saúde e vigor 12. Lógica da categoria aristotélica que indica a passividade, a inatividade perante uma ação alheia por oposição a ação. Etimologia: lat.tar. passĭo,ōnis 'paixão, passividade; sofrimento', pelo vulg.; ver 2pass-; f.hist. sXIII paixon, sXIII paxon, sXIV payxõ, sXIV payxõoes, sXV paixão, sXV passiom, sXV paxam 'martírio', sXV paixões, sXV passõoes 'sentimento'. Sinônímia e Variantes: ver sinonímia de mania e martírio e antonímia de desleixo e indiferença

O desejo dessa paixão realmente me pareceu um vício agora. Quero! Preciso! Desejo! Não.

Os otimistas dirão: mas há um ou outro significado bom ali no meio, você mesmo exclamou! Mas perceba o contexto como em um todo.

Ruim, muito ruim. Não gostaria de perder a lógica, a razão, deixar de ver, de tentar entender.

Não quero sofrer mais do que sofro pensando que esse vazio pode ser exponenciado pela paixão, vazia? Já pensou? Paixão vazia. Soa tão moderno e atual.

Então o que eu quero?

Liberdade. Muito complexo. Vivemos numa sociedade onde nossa liberdade é cerceada a cada instante. Internamente, dentro desse complexo sou livre, mas como é possível ser livre dentro de um ambiente sem liberdade; internamente?

Arcando com as consequências.

Então sou livre na medida do possível. Mas se há uma medida não é liberdade... viu.. complexo... acho que tenho a liberdade de que preciso.

Evoluir. Essa minha busca é uma evolução. Feito.

Definitivamente não sei, ainda estou pensando. Burilando a ideia. Realmente muitas dúvidas travam. O problema é que, em tudo que leio deste texto, não há dúvidas, só não há visão.

O que eu quero? Difícil, muito difícil responder.

03 outubro, 2011

Hoje voltei para minha infância. Consegui sentir o desconforto da cama, a grandiosidade das coisas que eu não alcançava, a ilusão de uma tenra idade.
Foi um sonho, um sonho diferente da maioria. Estava eu já no meu segundo quarto, que dividia com minha avó.
Agora, acabando de acordar, consigo perceber a diferença de tamanho entre as camas. Uma era emparelhada a outra em um quarto corredor, do outro lado um guarda-roupas daqueles comprados em uma loja de moveis baratos, também ao lado, no meio, um menor e mais antigo, o espaço de uma cadeira e uma cômoda,penteadeira, gaveteiro; alem de perfumes, jóias guardava também documentos.
Mas o estranho do sonho nao é a clareza da lembrança. Ver a distancia da cama a janela que dava para a área de serviço, bem em cima de um tanque de lavar roupas. O estranhamento e que eu possuía neste sonho um cavalo. Forte. Firme. Perfeito.
Lembro de abraçar sua cabeça pela janela do quarto (não, não seria possivel na reLidade, mas era um sonho).
Lembro também, que o chamava de Julius e o tinha desde que era um potro. Ganhara-o por algum motivo. Lembro que ao acordar, segui pela porta aos pés da minha cama que dava para o banheiro, quarto de ferramentas, caminho do living do meu padrinho. E lá, com seu piso amarelo desbotado, colhi capim. Um capim verde, fino, fofo, em grade quantidade e deixei cair no chão um pouco que era visível perfeitamente a raiz.
Sai pelo quarto, que levava ao imenso (nao tao imenso, mas na minha visão de criança tinha muitos quilômetros) corredor. Lá na frente, após ao portão de madeira, a porta de vidro estava aberta, assim como o portão que dava para rua, e naquele espaço, que era a garagem, estava o potro deitado e eu procurava por um cavalo adulto, seguro de si que havia visto pela janela. Aquele que me do forrou na insegurança. Aquele cavalo, com suas crinas longas. Que nunca existiu e sempre esteve lá.
Acordei.

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